E o que mais admiramos nos trabalhos desse artista o clima intimista criado com belíssimas cores escuras e quentes: violetas, carmins, magentas, azuis violáceos, iluminados por brancos que adquirem um aspecto estranhamente gelado. Um "que" de Metafísico emana dos quadros para, logo depois, diluir-se numa realidade humanizada, porém solitária. Mas essa solidão nada tem da desesperada incomunicabilidade entre os seres. Sentimos na solidão inerente à obra de Gregório, uma procura propositada de instantes propícios ao "relax", as meditações e às observações do que se passa em seu redor. É justamente através desse clima, que podemos perceber toda a capacidade criativa do artista sensível à forma por ela mesma, sem complicações, num "ver" que nos recorda Cézanne, quando dizia pintar "ses, petites sensations".

Trecho de matéria de Ernestina Karman para o jornal Folha da Tarde