A pintura urbana de Gregório "Artista da ruas, dos
recantos de toda hora, dos quartos e cozinhas, ele é pintor
de São Paulo, com vastidões e minucias, com grandezas
e ternuras, perante a solidão dos desencantos e desencontros.
"É a pintura de um caminhante nas noites dos nassos
dias. As coisas, os objetos, parecem nele encontrar o silencioso
desejo de permanecer, Máquinas, edifícios, móveis,
figuras as dispostas para o esquecimento, têm ali uma irrefutável
presença. "Há uma inquietante tensão um
verdadeiro comprometimento entre o meio como coisa de fora e a luz
como projeção de dentro. É essa luz conduzida
pela sensibilidade de Gregório que cria, diante da perplexidade
intransponivel e coercitiva do cotidiano, um novo espaço,
novas formas de interessar e recobrir as superficies, de humanizar
todos os vazios. "Assim, Gregório sobrepõe, por
suas próprias qualidades artisticas, a desconsideração
pela consideração, o não dito pelo dito, a
coisa pelo sonho. Demora sobre o que passa. Mostra mais uma vez,
que na arte como na vida o trabalho criador sempre abre caminhos
inesperados para as aproximações desejadas; transfigura
o inóspito em social; mostra urbanidade a metrópole".
Texto de Flavio Motta para folha de São Paulo