Gregório Voyeur

Gregório prefere esvasiar os olhos humanos: prefere a obra feita pelos homens. Talvez para fugir de sentimentos complexos provocados pela convivencia entre essa espécie, o amavel pintor retrata a obra adormecida. O sonho é concreto, o cimento ata os dedos, prende as fibras vacilantes. A obra dos homens de fato é melhor do que seus cridores. As peripécias de Greg-Voyeur registram aquelas brumas que envolvem nossos penssamentos. A torre, que tanto poderia ser um viaduto, uma avenida, um simples luminoso, apareçe como uma ancora: é porto. Greg tornou-se vigilante urbano: olho posto nas marquises, nos muros. Ao mesmo tempo passaro e gato, folha e chuva: camaleão sólido. Viajante insólito.

Trecho do texto de apresentação por Miguel de Almeida