Mas o que é na verdade o fenomeno Gregório em si? Isento de invólucros e mistificações. Nas pinturas e aquarelas recentes esta patente uma verdade. O artista amadureceu. O seu mundo e junto com ele os meios de retrata-lo. E o sintoma dessa verdade está muito claro. Há um momento para certos pintores em que o prazer passa a substituir a tensão do construão pictórica. O receio pueril do lugar ao namoro pleno com a arte. O desconhecido já não é mais aterrador e o dominio da pintura deixa uma margem para o gozosensual da cor da maléria. Sobra tempo para o devaneto com o objeto escolhido. Pois Gregório mostra essa safisfação, o sinal evidente de uma plenitude muito próxima. A sua técnica tornou-se tão fluente, que ela já não importa mais. É parte integrante e ocasional de um processo sem limitações de estilo nem de época. Neste processo, tanto a concepcão plastica e a visualização são individuais, quanto a noção de suporte e de pintura são atempoais. Ele é apenas o repórter sensível do deu ambiente, que deixa aos outros a tarefa da leitura. O verdadeiro artista que tem obsessão em realização e premencia em comunicar. Os momentos fragmenta dos nas telas não são novos. Assim como não são novas as paisagens, os homens, os animais que o ser humano já retratado. A parte interna da veda urbana, enfocada ali, praticamente igual em todos os lugares. Todavia, numa época plena de cerebraismos, esoterimos e abstrações, também é gratificante verificar o poder, o alcance e a vitalidade de domésticas anotações.

Trecho de materia do Jornal Estado de São Paulo, dez. 78